A Academia Angolana de Letras (AAL) e a Cátedra Agostinho Neto da Universidade Roma assinaram recentemente em Roma, um protocolo de cooperação estratégica destinado a aprofundar os laços culturais e académicos.
O acordo foi assinado pelo presidente da AAL, Paulo de Carvalho, e pelo director da Cátedra, Giorgio de Marchis. e prevê a promoção do estudo da língua, literatura e cultura angolanas, bem como a valorização da vida e obra de António Agostinho Neto.
A primeira iniciativa conjunta deste memorando foi a realização do Colóquio Internacional “Angola Perante a África e o Mundo”, que assinala os 50 anos da Independência de Angola e o 50.º aniversário das relações diplomáticas entre Angola e Itália.
Na abertura do Colóquio a Embaixadora de Angola na Itália Josefa Sacko, saudou a presença de estudiosos angolanos e de várias partes do mundo, que têm ajudado a difundir o contexto linguístico característico de Angola, a sua cultura e a sua arte e reafirmou a abertura do país ao diálogo e a inovação bem como ao fortalecimento das instituições.
Recordou, com particular orgulho, que a instituição acolhe uma cátedra dedicada a Agostinho Neto, nacionalista, político e figura maior da literatura angolana, cujo legado é estudado e valorizado num país estrangeiro.
A diplomata realçou o papel das instituições de ensino superior como pontes entre povos e gerações, capazes de aproximar realidades, estimular o pensamento crítico e fortalecer a cooperação académica entre Angola e Itália.
A Diplomata lembrou que o evento junta-se a celebração dos 50 anos da independência de Angola revisitando o percurso de um povo resiliente, que transformou desafios em esperança e consolidou os alicerces de uma nação soberana, aberta ao mundo e comprometida com o progresso de África.
A Embaixadora reiterou que a missão diplomática angolana continuará empenhada em apoiar iniciativas desta natureza e em promover uma participação mais ampla de instituições angolanas em futuras edições, reforçando a divulgação do evento em Angola e aprofundando os laços académicos e culturais entre os dois países.
O colóquio contou ainda com intervenções académicas que enriqueceram o debate, entre as quais a do Prof. Giorgio de Marchis, que apresentou uma síntese dos 12 anos de actividade da Cátedra Agostinho Neto, sublinhando o seu contributo para a difusão da cultura angolana em Itália.
Seguiu se António Quino, que abordou o poder simbólico da língua como ponte para a promoção do literário, destacando o papel da língua portuguesa na circulação do pensamento e da criação artística angolana.
Já José Octávio Serra Van Dúnem centrou a sua intervenção na necessidade de fortalecer a cooperação académica e científica, defendendo uma maior articulação entre instituições angolanas e italianas e outras intervenções de académicos italianos.
O encontro reuniu professores universitários, estudantes que participaram activamente no debate e na reflexão sobre os 50 anos de independência de Angola
O colóquio encerrou o XII° curso livre de cultura angolana reuniu académicos angolanos, italianos, portugueses, brasileiros e espanhóis e membros da comunidade angolana em Roma, para debater temas como diversidade cultural, e o papel da produção intelectual na consolidação das relações culturais entre os dois países, o poder simbólico da língua e literatura contemporânea, bem como uma romagem ao busto de Agostinho Neto, no Largo Beato Placido Riccardi, simbolizando o compromisso com a preservação da memória histórica e o reforço da cooperação luso italiana no domínio das letras e das ciências sociais.
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Reforçados laços culturais e académicos entre Angola e Itália