• Embaixada assinala 65.º aniversário do 4 de Fevereiro com apelo à memória histórica, reconciliação e unidade nacional


    A deposição de uma coroa de flores no busto do presidente Agostinho Neto em Roma e a realização de uma palestra com o tema “Preservar os valores da pátria, honremos os nossos heróis” marcaram a celebração do 65.º aniversário do 4 de Fevereiro de 1961, data que marcou o início da Luta Armada de Libertação Nacional.
    A cerimónia, orientada pela Embaixadora de Angola na Itália e Representante Permanente junto das Agências das Nações Unidas em Roma (FAO, FIDA e PAM), Josefa Sacko, contou com a presença do Embaixador de Angola junto da Santa Sé, Carlos Alberto Fonseca, membros da comunidade angolana, representantes diplomáticos e convidados internacionais.
    A Embaixadora Josefa Sacko agradeceu a presença da comunidade e reafirmou o compromisso da missão diplomática em promover a memória histórica, a coesão nacional e a projeção internacional de Angola.
    Na Palestra académico e jornalista da Radio Vaticano Moisés Malumbu destacou o profundo significado histórico e moral do 4 de Fevereiro, sublinhando que a data “não celebra a dor, mas a coragem, a dignidade e a determinação de um povo que se recusou a aceitar a injustiça como seu destino”.
    Evocando os acontecimentos de 1961, incluindo os ataques às cadeias de São Paulo, Calomboloca e outros presídios coloniais, onde centenas de angolanos eram detidos, deportados ou mortos, o orador recordou igualmente o sofrimento das famílias, simbolizado pelas “mamãs da Ilha de Luanda”, que acompanhavam em silêncio o destino incerto dos seus maridos e filhos enviados para trabalhos forçados ou para o Tarrafal em Cabo Verde.
    O académico evocou ainda o contributo de várias figuras da Igreja Católica que, apesar das restrições coloniais, apoiaram moral e logisticamente a causa da libertação nacional e o papel decisivo do Papa Paulo VI (1897-1978), que em 1970 recebeu no Vaticano Agostinho Neto, Amílcar Cabral e Marcelino dos Santos, legitimando internacionalmente a luta pela independência das colónias portuguesas.
    Na intervenção sublinhou-se que o 4 de Fevereiro representou um momento de ruptura, ao trazer a luta para o centro urbano de Luanda e ao demonstrar à comunidade internacional que o povo angolano estava decidido a conquistar a sua liberdade.
    Moises Malumbu destacou o gesto do Presidente da República, João Lourenço, que em 2025 condecorou Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Malheiro Savimbi, reconhecendo o contributo de diferentes sensibilidades políticas para a história da independência.
    Segundo Moisés Malumbu, este gesto “atribui ao Presidente João Lourenço um legado importante na busca de uma paz mais significativa e duradoura”, reforçando a reconciliação nacional e a superação das divisões herdadas da guerra civil.
    A cerimónia encerrou com um apelo à unidade e à responsabilidade colectiva: “Celebrar o 4 de Fevereiro é honrar o Soldado Desconhecido e todos os que deram a vida pela liberdade.